>“Macho Man”, série com Jorge Fernando e Marisa Orth, coloca universo heterossexual na mira e subverte papéis


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Um sopro de novidade e arrojo mostra que nem tudo está perdido na certinha (e chata) programação da televisão brasileira. A estreia de “Macho Man” na ultima sexta-feira (8), atração que ocupa o horário mais tardio da noite global, mergulhou no politicamente incorreto através de uma simples sacada. Inverteu o olhar habitual que coloca os gays como alvo da piada e pôs o universo heterossexual na mira. Resultado: diálogos espirituosos, ousados e afinados como há muito – talvez desde a época de “Os Normais” – não se via na telinha.

“Macho Man” traz uma boa dupla principal: Marisa Orth e Jorge Fernando, que há muito havia passado para o lado de trás das câmeras na TV e trabalhava como ator apenas no teatro. Na série, ele interpreta Zuzu, um cabeleireiro gay (daqueles bem clichês) que, durante uma festa, apanha na cabeça com o salto alto da bota de uma drag queen. O incidente é o suficiente para fazê-lo mudar de personalidade: ele agora é Nelson, um aspirante a “pegador” que precisa da ajuda da amiga Valéria (Orth) para conquistar as mulheres.

Ela, por sua vez, também está se adaptando a uma nova realidade. Depois de meses fazendo dieta, emagreceu 20 quilos e agora espera fisgar mais rapazes para alcançar a felicidade amorosa de verdade. Mas a vida pós-regime não se mostra tão generosa quanto parecia anteriormente e, enquanto tenta arranjar um encontro dos bons, Valéria se torna a conselheira de Zuzu em sua nova empreitada no “violento e confuso” mundo dos heterossexuais.

Os diálogos se mostraram engraçados já desde o início – excelente, por exemplo, a piada com a aparição de Nelson no programa de Ana Maria Braga. Valéria precisa explicar a Nelson/Zuzu que “homem que é homem” não usa calça de couro, não deixa o cabelo arrumadinho, não chama a mulher de “querida” (só depois que o casamento desanda). Ao mesmo tempo em que tira sarro do estereótipo do machão, a série também dá suas alfinetadas nas “neuras” femininas e nos códigos de relacionamento dos gays.

Com direção de José Alvarenga Jr., o mesmo de “Os Normais” e outros humorísticos como “A Diarista”, e escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, “Macho Man” tem aquele pé no escatológico que é marca registrada do trio. Agora é torcer para ninguém perder a mão e o que começou com boa dose de ousadia para os atuais padrões televisivos se mantenha divertido. Enquanto isso, o bom humor prova o quanto é tênue a linha imaginária que muita gente ainda acha que existe quando o assunto é a vida sexual do outro.
fonte:colherada cultural

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Publicado em 13 de abril de 2011, em Midia e entretenimento. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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