>Militante gay e negro é vítima de racismo policial no Rio Grande do Sul


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O baiano Helder Santos, 25, se mudou para Jaguarão, no Sul do Rio Grande do Sul, para cursar História na Unipampa. Ele é militante gay e do movimento negro e trabalhava na prefeitura da cidade. Antes do Carnaval, no dia 05 de fevereiro, Santos e seus amigos foram abordados por uma ação da Brigada Militar que gratuitamente durante a abordagem agrediu um de seus colegas e o chamou de negro. Santos chamou os policiais de racista, apanhou com um cassetete, foi algemado e preso, sob a alegação de desacato a autoridade. Depois uma série de cartas levou o baiano a abandonar seu curso universitário e sair da cidade, com medo de represálias.

“Quando eu virei pro lado, tinham dois policiais agredindo um amigo nosso. Aí, outro policial me mandou virar para a parede, ele disse “olha pra parede, negão”. Eu virei em direção para o meu amigo, ele me chamou de novo de negão. Aí perguntei por que ele estava falando comigo daquela forma, para ele olhar para a cor dele, porque ele também não era branco. Aí ele mandou me algemar, me bateu com um cacetete no ombro e na barriga”, contou Santos para a impresa, após ter denunciado por policiais para a Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público da cidade, onde registrou queixa por abuso de autoridade e discriminação racial.

Depois de testemunhar na imprensa, Santos recebeu uma carta de um soldado, dizendo que ele deveria tomar cuidado pois os acusados seriam perigosos e estariam tramando contra ele. “O Osni já está até esfregando as mãos, e disse que vai te levar para dar uma volta no carnaval, que vai te colocar na viatura e te levar para a zona rural e te agredir, (…) ele está incomodando todo mundo para conseguir uma arma de choque. (…) O major (Ferreira, comandante da BM de Jaguarão), já avisou que é para te “embolachar” (…). A ordem é te bater sem deixar marcas gerais, peço que tu tomes cuidado no carnaval”, diz a primeira comunicação que era amistosa e sugeria que Santos deixasse a cidade para a sua própria segurança. Uma segunda carta porém, mudou o tom da conversa. “Baiano Nego Sujo, se tu for lá na Brigada e falar a verdade e me caguetar no meu processo, eu vou te cobrir de porrada. No carnaval, tu escapou, mas dei um jeito de embolachar teu amiguinho Seco Edson sem sujar as mãos. Deixamos a cara dele mais feia e preta que a tua, seu otário”. Outras cartas agressivas chegaram em seguida, uma dela endereçada a diretora da Unipampa, com uma ameaça de morte, segundo Santos.

Com a gravidade das ameaças, o secretário Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Fabiano Pereira, já anunciou que investigará o caso e destacou duas equipes ao local. Uma cuidará da segurança do denunciante, e a outra irá investigar a denúncia que considerou como grave. A Brigada Militar abriu duas sindicâncias contra a denúncia, que acusa o soldado Osni Silva Freitas, o sargento Ávila e o major José Antônio Ferreira da Silva de cometerem agressão, discriminação e abuso de poder. Um outro processo foi aberto, fruto de denúncia de moradores locais que acusam os três de comandarem uma milícia na região.

Até abril, as investigações devem ser concluídas mas o comandante Regional da Brigada Militar em Pelotas, Coronel Flávio Lopes, diz que pode ter havido excessos em razão da dureza da abordagem padrão: “A abordagem é um contato físico, e é possível que um policial militar possa ter exagerado ou usado expressões inadequadas”. Já o comandante da BM de Jaguarão, major José Antônio Ferreira, afirma que o caso está sendo tratado com sensacionalismo. “Houve um excesso, como está colocado aí, mas vamos apurar o que aconteceu no local. Aqui, nós somos bem transparentes, só que está havendo um sensacionalismo de quem está levando a matéria para vocês”, afirmou o major.

Santos está em Porto Alegre, e ficará em um abrigo provisório e deve voltar para sua terra natal. A Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual também investiga o caso. 


fonte:lado a

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Publicado em 30 de março de 2011, em Noticias. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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