O retrato do preconceito brasileiro


 


Com 49% dos votos, o povo decidiu tirar a primeira transexual do reality . Ariadna, a transexual do BBB 11,que foi aplaudida pela mídia parasita e abduzida “nave louca”, como diria o apresentador Pedro Bial. Sim, o Brasil, ao contrário da imagem que vende no exterior, está longe de ser o paraíso da liberdade sexual. Por tolerar o fenômeno do travestismo durante o carnaval, nosso país passa a ideia de que a homossexualidade, o travestismo e a transexualidade são aceitos e disseminados em território nacional. Triste engano!
A explicação -estereotipada- da transexualidade é de uma “mulher vivendo em um corpo masculino” ou vice-versa. Por diversas vezes, no BBB 11, Ariadna afirmou ser uma mulher, escondendo a transexualidade dos outros participantes. Entretanto, falar ou ocultar sua condição é um direito pessoal. Ou você sai pelas suas dizendo: “oi, tudo bem? Eu sou heterossexual” ?
A transexualidade poderia ter sido explorada de forma madura e expositiva no reality show global. No entanto, ficou apenas na polêmica primária, reforçada pela especulação de quem seria a “primeira vítima do traveco”. Parecia óbvio que a audiência do BBB iria sucumbir a esse truque. A vontade de ver algum trouxa cair na pegadinha pareceu mais forte do que o desejo de ao menos tentar entender a crise existencial de uma transexual.
Ariadna não é um estereótipo, tampouco um “travesti encrenqueiro”. É uma garota quieta, com olhar triste e com uma história de vida bastante dramática. Mesmo ocultando a sua verdade, a moça teve conversas transparentes na casa sobre a sua principal ocupação profissional – a prostituição. A complexidade do tema, contudo, foi minimizada pela edição do BBB, que simplificou a confissão da candidata em uma sentença: “Eu fui garota de programa. Pronto, falei”. 

Em um discurso envergonhado, Ariadna, por algumas vezes, confessou detalhes da sua história. “Era estagiária quando conheci uma garota de programa e comecei nessa vida. Meu padrasto me tratava muito mal. Morro de vergonha do meu passado”, disse para Janaína, Paula e Jaqueline. Ainda nessa conversa, desabafou: “Vocês não sabem como é quando alguém pergunta qual é a sua profissão. Você fica uns três segundos em silêncio e sente aquela tristeza por dentro”.

Ariadna já foi Thiago Arantes

 

Assunto, este BBB tem. O problema é que grande parte do público assiste apenas ao que é apresentado pela TV aberta em  uma versão “envenenada” e minimalista. Por que diabos a Globo suprimiu esses importantes diálogos da edição? Querem colocar o dedo na ferida e não sentir dor? Temem por polemizar ainda mais o conteúdo do programa? Quem acompanha o BBB pela Rede Globo só viu a ponta do iceberg. Na madrugada de sábado (8), o engenheiro Cristiano, líder da semana, em conversa com Rodrigão, disse: “se eu passasse a noite com Ariadna teria que jogar um vidro de perfume nas minhas partes íntimas”. A frase, todavia, também não foi ao ar.

Além do preconceito velado, existem outras hipóteses para tentar explicar a eliminação de Ariadna. Uma delas é a desconstrução do perfil de “heroína popular”, da garota pobre que venceu na vida e caminha para um final feliz. Em vez de posar de vítima, a moça assumiu ter ganhado dinheiro com a prostituição, o que definitivamente gerou antipatia da audiência mais conservadora.

É possível que Ariadna tenha sido gongada por não cair no clichê. Talvez por ser complexa demais para telespectadores, que preferem ver bundas, músculos e intrigas corriqueiras em vez de uma crise existencial. O fato é que a grande massa não quer saber dos problemas de Ariadna. Ela que se revolva sozinha e, preferencialmente, bem longe da sociedade “limpa” que, no momento, está mais interessada no realismo utópico e bem resolvido da novela das nove.

Você sabe a diferença entre transexual e travesti? 

Sobre STOP HOMOFOBIA

promovendo a LUTA contra homofobia e à favor dos direitos GLBT

Publicado em 20 de janeiro de 2011, em Midia e entretenimento. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. >Achei péssimo ela ter saído tão precocemente, já tivemos gays, lésbicas e até drag, mas uma transex era demais, que diversidade. Preconceito ouve sim, não pelo fato de cor, raça, dos participantes lá dentro, mas do medo da sociedade brasileira que não tolera transformações. O fato dela fazer programa não tem nada a ver, lá dentro muitos desconfiavam que ela era a transexual da casa(quem tem peper-view sabe)por isso ela foi, mas uma transexual num programa de tv aberta é muito pra nossa sociedade que tanto nos julga. Espero ver Ariadna na Playboy pelo menos, já que corpão ela tem né.

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